Monumentos Históricos de Cairu
Sítio de Morro de São Paulo



Descrição: Geográfica, histórica, sócio-econômica e urbanística.

Morro de São Paulo esta localizado no extremo norte da ilha de Tinharé,uma das ilhas que compõem o município de Cairu.As outras duas são:Cairu e Boipeba. Administrativamente,Morro de São Paulo pertence ao distrito de Gamboa e é a sua maior povoação.A ilha de Tinharé mede 22 km de norte a sul e 18 km de leste a oeste,com relevo do tipo planície costeira,revestindo de solos,predominantemente,a renoquartzosos profundos distróficos (1).

Seu recobrimento florístico conserva manchas da mata atlântica e manguezais,que revestem a contracosta da ilha.Clima tropical super úmido com subseca.Precipitação anual de cerca de 1800mm,com dois períodos chuvosos:Março-Agosto e Outubro-Janeiro.Temperatura media anual de 25.3°c (1).Morro de São Paulo Vista de Salvador 30 milhas náutica ou 56 km,em linha reta.O acesso à ilha pode ser feito por barco a Navegação Baiana ou Por rodovia até Valença(256km de Salvador),onde se toma uma lancha que conduz a Morro de São Paulo ( 10 milhas náuticas).

A ilha é conhecida desde 1531, quando Martins Afonso de Souza a avistou,em 24/III daquele ano,e a chamou de Tynharéa.Naquelas terras intregaram,depois,a capitania de São Jorge dos Ilhéus,doada por D.João III a Jorge de Figueiredo Correia,através de Carta Régia de 25/IV 1534.A capitania contava com 50 léguas de costa “...que se estende da ilha de tinhares e vai correndo ao longo da costa...” (2).

Para povoar a nova terra o donatário enviou,no ano seguinte,uma frota de navios com muitos colonos,sob o comando de Francisco Romero, que desenbarcou no norte da Ilha,junto a um promontório,batizado com o nome de Morro de São Paulo (2).Aí Romero lançou os fundamentos de uma vila (3).transferindo-a, mais tarde ,para a foz do rio cachoeira,onde a assentou e a fortificou com o nome de vila de S. José dos Ilhéus (2).A enseada do Morro de São Paulo logo se transformou numa espécie de zona franca, freqüentada por piratas e contrabandistas,que ali tinha livre acessos,devido a dificuldade de fiscalização da capitania de Ilhéus (4). No inicio do século XVII,o capitão Lucas da Fonseca Saraiva,casado com D. Catarina de Góes, ergueu sua morada no alto do Morro de São Paulo,e edificou uma capela na vizinhança,sob a invocação de N. S. da Luz (5).Os holandeses, comandados por Johan Von Dortt,ali estiveram antes de tomar Salvador,em 1624 (4). Após a ocupação da Cidade,tocaiados no seu canal,apreenderam um navio jesuítico,procedente de S. Vicente,onde viajavam quinze padres da companhia,alguns beneditinos e Franciscanos.Um ano mais tarde.abrigou-se no local a numerosa armada de Boudewijh Hendricszon que,ao saber reconquistada Salvador pelos portugueses,rumou para norte (6). Em 1630,temendo novos ataques à capital,o Governador Diogo Luiz de Oliveira determinou a construção,no local,de um forte destinado à defesa do Recôncavo (4,7). O forte foi ampliado,em 1730,por D. Vasco Fernandes Cesar de Meneses, conde de Sabugosa (8). No final do mesmo século, a fortaleza já se encontrava decadente e arruinada (9). Mas sua posição estratégica fez com que o Almirante Lord Thomas Cockrane a alegasse, em 1823,com base de operações da primeira esquadra Brasileira,de onde saia para lutar contra a frota lusitana,fundeada diante do Salvador,no âmbito das lutas da Independência (7).

Durante os séculos XVII e XVIII Salvador dependia da farinha produzida pelas ilhas de Tinharé,Cairu e Boipeba,onde se concentrava a maior população da província,pois a população da região ali se refugiou,em vista dos ataques dos Aimorés ás povoações firmes.

No ano de 1673,o Governador Afonso Furtado proibiu que se plantasse canaviais e construíssem engenhos nas ilhas,para favorecer a produção d afrinha (4). A região era,também,um importante centro de produção de materiais de construção:madeira,telha,pedra etc. Em meado do século XVII,grandes partes dos navios que procediam do reino e de Angola fazia negócios clandestinos em Morro de São Paulo,antes de entrarem na Baìa de todos os santos (4).

Para garantir o abastecimento de Salvador,foi necessário fortificar o canal de Tinharé,por onde escoava a produção regional.no século passado,Morro de São Paulo experimentou profundas crises. Apartir do século atual,Morro de São Paulo passou a atrair um número crescente de veranistas,movimento que aumentou,consideravelmente,nas ultimas décadas,com o fenômeno turismo da massa. Em 1980,o distrito de Gamboa possuía 1.457 habitantes,dos quais 1.232 eram urbanos,na sua maioria residente em Morro de São Paulo. A população local vive hoje de pesca,muitos abundantes muitos em suas águas,e na prestação de serviços ao turistas.

A população do Morro de São Paulo,surgiu sobre uma elevação,a cavalheiros de pequeno porto,e se desenvolveu em função da fortaleza que,em sua fase áurea,1748,possuía 183 Homens e 51 pecas (4). Na planta de João de Abreu e Carvalho,reproduzida por José Antonio Caldas, a povoação se resumia a uma única rua,a ligação entre atual capela de N. S. da Luz e a prainha,então desperta.Segundo a legenda,eram as “ cazas onde moravam os soldados do presídio” (10).Em 1746,foi construída uma grande fonte, o que determinou o aparecimento de uma segunda rua.estas duas vias e mais a escadaria-rampa,que serve de acesso ao porto,convergem para um terreiro em forma de losango,a PC.Aureliano O. de Lima.o que torna o povoado um assentamento urbano de estrutura radical. Lindley o classificou,em 1802,de “...um miserável povoado, de casas feitas de sopapo, situado numa encantadora encosta do Morro”. Quando D. Pedro II visitou a povoação, Em 1859,anotou que havia na ilha 300 famílias e que a igraja era “ Sofrível para a povoação”.O farol, ao contrario,foi classificado como de 1ª classe,construída pelo Eng. Carson, da fabrica de Valença (11). Em 1888, a povoação é descrita como insignificante e a população com quase ociosa (2). A ocupação da prainha foi iniciada dos pescadores. A partir da II grande guerra somaram-se a estes alguns veranistas. Recentemente, foi apropriada por turistas, inventariado,com extensão de 18 ha, compreende o promotório de São Paulo,com suas fortificação e farol, e o núcleo da primitiva povoação. Seu principal interesse é a conjugação do pais natural excepcional a um dos mais extensos sistema defensivos do pais por isso,classificado com grau de proteção (GP-1). O núcleo da povoação,formado por casas em sua quase totalidade térreas, em grande parte já modificado,não oferece grandes interesses. De qualquer modo,estão compreendidos dentro do sítio classificados dois monumentos tomados pala SPHAN: a fortaleza de Morro de São Paulo e a fonte grande. Foram inventariados dois outros monumentos de valor ambiental,a capela de N. Sra. Da Luz e o sobrado da Pç. Aurelino O. de Lima. A zona de proteção dois (GP-2) devera ser delimitada,oportunamente, e protegera as praias e o entorno do Morro de São Paulo. É urgente que se discipline o crescimento urbano da população,que esta destruindo a paisagem devido ao caráter predominantemente natural do sitio não foi aplicado questionário sócio-economico.
 
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