Monumentos Históricos de Cairu

Matriz do Divino Espírito Santo

Matriz do Divino Espírito Santo

Situação e Ambiência:
A vila situa-se a nordeste da ilha de Velha Boipeba.da vila ate a fortaleza do Morro de São Paulo... “contem 5 léguas por mar e 6 léguas por terra...” (1).A Igreja situa-se em terreno plano e baixo,no largo gramado,envolvido por vegetação de portes.O acesso à vila faze-se,atualmente, por mar, desde Valença,seguindo o canal que separa as ilhas de Tinharé e Cairu do continente.Vegetação típica de mangue,orla e canal.A vila é pequena e o casario que a compõem não merece destaque especial.

Descrição:
Edifício de relevante interesse arquitetônico.Apresenta planta em cruz latina,duas sacristias e sineira com acesso pelo exterior,através de escada de madeira.A igreja sofreu varias modificação,inclusive na fachada,e o seu piso original,de pedra,encontra-se em baixo do atual (2). A fachada, franqueada por cunhas de cantarias, é do tipo empena,com terminação curvilínea. Portada com cercadura de pedra e esquadrias em almofadas. No coro,três janelas estilo D. Maria I. Acima da igreja central, esta inscrita a data 1838. Do lado esquerdo, a “espandaña”,corada por uma pomba.No interior,altares neo clássico, pintados de azul e amarelo.O teto da capela mor é abobadado,com pintura ingênua,representado o Divino Espírito Santo.A capela do santíssimo,situa-se ao lado esquerdo, possui grade de madeira torneada e azulejos azuis e brancos ( século XVIII),com motivos figurados bíblicos.o momento possui,ainda,pia batismal,algumas imagens e muitas alfaias,guardadas em cofre particular.

Dados Tipológicos:
Matriz do século XVII,ampliada verticalmente, no 2º quartel do século passado,com testemunha os cunhas da fachada.Tal ampliação destinava-se a criar um coro elevado e com consistórios sobre a sacristia esquerda.Da primitiva matriz com conserva-se a planta em cruz latina, portada e sacristia esquerda, a planta em cruz latina é comum em igrejas de aldeias jesuíticas do século XVII,com S. Tomas de Paripe ( Salvador),N. S . do Socorro, em Sergipe,e matriz de N. S. do Rosário,em Cairu.Um falso transépto aparece em igrejas de transição para a planta de corredores laterais,como S. Amaro de Ipiranga (L. de Freitas) e S. Bartolomeu ( Maragogipe). Na região a outras igrejas do mesmo tipo: Sagrado Coração de Jesus ( 1791) em Valença. A matriz do Espírito Santo é ligeiramente posterior à de N. S do Rosário de Cairu e nesta se inspirou. A “espadaña” é um elemento comum em pequenas capelas rurais do século XVII,especialmente jesuíticas,como Santa Ana do Rosário do engenho (Ilheus); S. João Batista, de Trancoso ( P. Seguro); N. S da Escada e S. Tomas de Paripe ( Salvador).Há,porem,outras capelas no mesmo período, muitos das quais pertencentes a engenheiro com este elemento, como: N. S. das Neves; N.S do Loreto ( Salvador); N. S da Penha do Ingrape (Cachoeira);campo ENG Capanema ( Maragogipe);Cap.do Bom Despacho ( Itaparica);

Histórico Arquitetônico:
Século XVI- Boipeba foi residência dos jesuítas desde este século (3).

1599- Os jesuítas ai se concentram, devido aos ataques dos aimorés em Camamu (3).

1908- Com a paz com os aimorés, renasce Camamu (3).

1616- A capela do Divino Espírito Santo elevada a freguesia pelo 4º bispo,D. Constantino Barradas, com o nome de Divino Espírito Santo de Boipeba (4).

1756- O Vigário José Borges de Cerqueira Mello,ao relatar sobre a Freguesia, informa que a mesma tem quatro capelas, duas oratórios e 2.417 pessoas de comunhão (1).

1791- Firmado o compromisso da Irmandade das santas almas,Sita na freguesia do Espírito Santo e Santo Antonio (5).

1801- Vilhena refere-se a vila como “...Pequena e poucos,e pobres os seus habitantes” (6).

1811- Baltasar da Silva Lisboa transfere a nova Boipeba para o continente,distinguindo-se assim da Velha Boipeba (3).

1813- A 4/IV,A freguesia é vistada pelo PE. Sebastião Querino de Santa Barbara e essa (7).

1933- Bandido escava ao redor de uma lapide,com inscrição em latim, à procura do tesouro (8).

Sistema Construtivo e Materiais:
Paredes autoportantes de alvenaria mista:Pedra e tijolos.parte da parede do fundo do templo em tijolos.

Restauração e Intervenções realizadas:
1977/ 79- A igreja se encontrava em obras,financiadas pelo Adveniat ( Alemanha), orçadas em 17.000 DM (2). A restauração do telhado foi executada pelo mestre carpinteiro Antônio Minguel da Silva,sob orientação do Frei Stansislau, do Convento de Cairu (8).
 
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