 |
Forte da Ponta

Situação e Ambiência:
O forte da ponta, do facho ou S. Paulo está localizado no estremo norte da extensa linha de fortificações que guarnece o promontório do Morro S. Paulo, impedindo a penetração no canal de Tinharé. De seu terrapleno domina-se não somente o referido canal, como a barra da Baía de Todos os Santo e grande extensão de Oceano. Chega-se ao Forte da Ponta, a pé, partindo-se do portaló, ponto de ingresso no recinto fortificado, após percorrer cerca de 555m ao longo da cortina que protege a margem sudeste do canal. O Forte da Ponta integra conjunto tombado pela SPHAN e inventariado pelo IPAC-Ba, sob o n° 32201-0.4-I002.
Descrição:
Forte, de relevante interesse arquitetônico, constituído de um terrapleno, em forma trapezoidal, com seis troneiras e duas guaritas, uma das quais já destruídas pelo mar; quartel em ruína e um segundo terrapleno a barbeta, junto à fachada leste do quartel. No lodo oposto, o quartel, uma construção retangular, medindo cerca de 14,50 x 28,0 m, é recoberto por telhado de quatro águas e apóia-se sobre uma das cortinas do terrapleno. Penetra-se no forte através de portada com cercadura de arenito, sobre cujo frontão semicircular existe inscrição comemorativa da sua fundação, reproduzida na cronologia. Um pequeno corredor, flanqueado pelo corpo-de-guarda e prisão, conduz a um átrio coberto, aberto para o terrapleno através de três grandes arcos pleno. Neste átrio localiza-se a cisterna. Em duas faixas laterais localizava-se, á direita, a casa do oficial e, á esquerda, o paiol e as cloacas. A fachada oeste é inteiramente cega e a leste vazada apenas por seteiras. Todo o conjunto está tomado pelo mato. No chão, um canhão datado 1695.
Dados tipológicos:
O primitivo Forte da Ponta possuía terrapleno com 70 m de extensão e 19 troneiras, como pode ser observado em gravura reproduzida por Vilhena (1). Suas atual configuração resulta das obras realizadas na última década do século XVIII pelo Sargento-mo Domingos Álvares Branco Muniz Barreto, comandante do presídio, em reparação aos danos causados pelo temporal de junho de 1774 ( 2 ). Sua forma de atual foi descrita pelo coronel de Engenheiros Henrique Beaurepaire Rohan, em 1863, como “ ...hexágono irregular, com três faces à barbeta e três ( faces ) canhoneiras, que formam quatro ( ângulos) salientes e um reintrante.” O mesmo oficial assinala a necessidade de uma plataforma geral e do rejuntamento das muralhas ( 3 ). Sua função era proteger não só o canal de Tinharé evitando o refúgio de barcos inimigos, e guardando a rota de abastecimento de farinha de Capital, que se processava por aquela via, como evitar a entrada de barcos inimigos na Baía de Todos os Santos, através de sua barra falsa.
Histórico arquitetônico:
1730 “excelentíssimos senhor Vasco Fernandes Cesar de Meneses, conde de Sabugosa, do conselho de S.M. que Deus guarde alfares-mor do Reino ,alcaide-mor da vila de Alenquer, comendador da ordem de Cristo, da s comendas de São Pedro de Lomar e de São João de Rio Frio, capitão-geral de mar e terra do estado do Brasil,mandou fazer esta fortaleza no ano de 1730” ,assim reza uma placa existente na entrada do forte (4).Não obstante isto, afirmam os historiadores que a obra foi construída entre 1728 e 1732 (5). Ao mesmo vice-rei deve-se ,também,a construção da cortina que corre em uma extensão de 678 m.
1774- em junto deste ano, um temporal rompe dois trecho da muralha de seu terrapleno (4).vide planta reproduzida por vilhena .
1787- em ofício o governador D.Rodrigo José de Menezes direge-se a D. Martinho de Mello e Castro, assinalando as obras necessárias para evitar a total ruína de fortaleza (6).
1797- O terrapleno, já muito erodido pelo mar, é reduzido em t6amanho e restaurante pelo sargento-mor domingos Álvares Branco Muniz Barreto que, na mesma oportunidade constrói uma nova casa de pólvora(2).
Sistema Construtivas e Materiais:
Robusta construção em alvenaria de pedra com arcos em tijolos e portas e janelas com cercadura de pedra. As divisórias internas,também de pedra,elevam-se para sustentar o telhado.Guaritas com Cúpulas hemisféricas,em tijolos.
Restaurações e Intervenções realizadas:
1797- Afirma o sargento-mor Domingos A.B. Muniz Barreto: “ Mandei também levantar de novo uma casa para guardar a pólvora, que tanto necessitava. Na reedificação porém do forte da Barra,o mais principal e que defende a entrada do canal... e emendando-se o erro crasso de sua primeira construção,eu lhe fiz levantar interinamente uma cortina de faxina,montando todas as peças dos calibres vinte e quatro,dezoito e dezesseis que serviram antigamente nesta batalha...”(2).
1863- Face a questão Christie,o Eng. Militar Henrique de Beaurepaire Rohan elabora relatório em que afirma que o forte sofrera reparos e recomenda o rejuntamento das muralhas e a necessidade de uma plataforma (3,4).No ano seguinte foram realizadas obras em todos os fortes,pelo Eng. Militar João José Sepúlveda de Vasconcelos (4).
1881/83- Consertos nas fortificações (7).
|