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| Monumentos Históricos de Cairu |
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Centro Histórico da Cidade de Cairu

Descrição:
Geográfica, histórica, sócio- econômica e Urbanística.
A cidade de Cairu está situada na ilha do mesmo nome, uma das três grandes ilhas que formam o arquipélago de Tinharé e o município de Cairu. O nome primitivo da ilha era Aracajuru, que significa, na língua indígena, “casa do sol” , segundo Jaboatão. Sua orla marítima é, integralmente, ornada de mangues, mas restam manchas da Mata Atlântica na Ilha. Seu clima é super úmido, com sub-seca, temperatura média de 25, 3° C e precipitação anual de 1800 mm. Cairu dista da capital 87Km, em linha reta, e 305,7 Km por rodovia ( BA-001 e BR-101) (1). O município possui 433 Km2 de extensão e o seguintes distritos: Cairu ( sede ), Galeão, Gamboa e Velha Boipeba ( 2). Seus solos são do tipo arenoquartzosos profundos distróficos.
A povoação de Cairu surgiu ainda no século XVI, durante o desbravamento da capitania dos Ilhéus, à qual pertencia. Um dos primeiros povoadores foi Domingos da Fonseca Saraiva, casado com D. Antônio de Pádua de Góes, que construiu um engenho e a capela ( 1610 ) que viria a ser a matriz, além de outra, dedicada a Stº Antônio ( 3 ). A criação das vilas de Cairu, Boipeba e Camamu foi ordenada, em 1565, pelo segundo donatário da Capitania, Lucas Giraldes ao seu procurador, Baltazar Ferreira Gaivoto, que, por sua vez, delegou a João d’ Andrade a fundação das mesmas ( 4 ). Com as guerras dos Aimorés, deflagrada na mesma época, tais fundações, não se efetivaram, embora Cairu se transformasse em um núcleo de resistência ( 5 ). Só após as lutas, foi criada, entre 1606 e 1608, a freguesia, pelo bispo Constantino Barradas, e efetivada a ereção da vila, em 1608 ou 1610, segundo diferentes autores ( 4 ). Durante o século XVII a ilha transformou-se em um importante centro de produção de farinha e madeira, mas possuía, também, engenho de açúcar. Os Holandeses, durante sua permanência no Nordeste ( 1630-1654), bordejaram o arquipélago em vários ocasiões, em busca de víveres. Em 1635, novos colonos chegaram a Cairu, fugindo dos ataques da esquadra holandesa de Lichthardt ao porto de Ilhéus, dentre os quais estava os descendentes do donatário da capitania ( 1 ). Em 1644 o Gov. Antônio Teles da Silva obrigou os moradores do arquipélago a abastecerem de farinha as tropas de Salvador. Vinte e nove anos mais tarde, seu colega Afonso Furtado proibiu que se plantasse ou se construísse engenho nas mesmas, para não prejudicar a produção de farinha ( 6 ). Passo decisivos para o desenvolvimento da vila foi a instalação do convento franciscano de Stº Antônio, em 1654. Os jesuítas também ali estiveram, pois um recrutamento geral de índios, datados de 1720, assinala Cairu entre outras aldeias jesuíticas, como Serinhaém, Camamu e Maraú. Em catálogos posteriores de compainha de Jesus, já não aparece Cairu ( 7 ). A parti de meados do Séc. XVII e durante uma centúria, a Capitania de Ilhéus enfrentou os ataques dos índios Guerens, que prejudicavam, entre outras coisas, o corte de madeira no arquipélago. De Cairu se desmembrou, em 1799, o município de Valença. Durantes as lutas da Independência, Cairu, Camamu e Valença estiveram ao lado de Cachoeira e Maragogipe, contra os portugueses. A unidade político-administrativo da Capitania de Ilhéus foi rompida, 1833, com a criação de duas comarcas: a de Valença, da qual fazia parte Cairu, e a de Ilhéus ( 4 ). Cairu foi elevada a cidade em 30/III/1938, pelo Decreto- Lei estadual nº 10.724.
Tradicional fornecedora de farinha para a Capital, desde o séc. XVII, Cairu acrescentou a mandioca às culturas de cana-de-açúcar e de arroz, a parti de meados do século seguinte. Paras a reconstrução de Lisboa, após o terremoto de 1756, Cairu foi obrigada a contribuir com 166$000 anuais, durante três década ( 4 ). Através de correspondência enviada ao Governador, em 8/VIII/1783, o Ouvidor Nunes da Costa comunica que havia promovidos as cultura de cacau e do café nas ilhas ( 4 ). Ao logo destas culturas, a extração de madeira foi, até ao inicio do século XIX, uma das mais importantes atividade econômicas de Cairu. Em 1779, Silva Lisboa, que era juiz conservador das matas, clamava, insistentemente, contra a sua devastação ( 6 ). Em 1887, a economia local baseava-se na atividade extrativa da madeira a da piaçava; nas lavouras de mandioca, café, cacau, arroz, cana, milho e frutas; na pesca na pequena criação de gado ( 8 ). A freguesia de N. Sra. Do Rosário de Cairu possuía, em 1759, 2.102 habitantes e 322 fogos ( casas ) ( 9 ). Em 1890, foi feito um recenseamento que revelou uma população de 3.527 habitantes ( 4 ). Pelo último censo, o município possuí 2.609 habitantes e a cidade, 1.566 ( 10 ). A decadência de Cairu se inicia ainda no século XVIII, em benefício de Camamu, que assumiu a liderança econômica da região ( 6 ). Para isto muito contribui sua economia, predominantemente extrativa, e seu isolamento como ilha. Há cerca de 20 anos, foi ligada ao continente por uma ponte, mas essa ligação não conseguiu romper a estagnação em que mergulhou a cidade, há dois séculos. A expansão de cultura como o cravo-da-índia, pimenta-do-reino e guaraná, além da conclusão da BA-001, trecho Valença – Nazaré, poderão trazer novo alento a região.
A povoação nasceu na cumeada de uma pequena elevação, próxima ao porto, por onde escoava a produção regional de farinha de mandioca e madeira, destinada à Capital. A cidade é tipologicamente simples, mononuclear, com uma matriz linear sinuosa, a Rua Direita, paralela ao canal que lhe serve acesso. A esta se somaram, em época posterior, outras ruas, conformando uma trema urbana irregular, mas densa de verde. Por sua volumetria e localização nos ponto mais alto da cidade, destacam-se dois monumentos religiosos: o Convento Santo Antônio ( 1654 – 1750 ) e a Matriz, cada um dos quais procedido de uma praça triangular. Seu centro histórico, classificado com grau de proteção um ( GP-1 ), compreende um área de 3,79 hectares, que se estende da praça da Matriz ( Pç. Benjamin Constant ) até o final da rua Direita, próxima ao porto. Estão aí localizados 93 imóveis, na maioria edificados ou modificados no século XIX.
Quanto ao estado de conservação, 12,12% dos imóveis foram considerados satisfatórios, 75,76% em condições medíocres e 12, em estado ruim. A totalidade das casas e sobrados cadastrados é de uso exclusivamente residencial e 78,79% são ocupados por seus proprietários. Cerca de 83,85% da sua população é originária de Cairu, 15,38% de outros municípios. Dos maiores de 10 anos de idade, 66,67% não tem atividades econômicas, 23,15% se ocupam de atividades terciárias, 2,7% de atividade secundária e 7,41% de atividade primária. Dados obtidos pela equipe PPH/SIC em inquérito realizado em 20% dos domicílios.
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